O grupo liderado por Thyago Calvo pesquisa o potencial terapêutico da superexpressão de fatores neuroprotetores por edição epigenética com CRISPR-Cas9 na doença de Alzheimer.
Tudo começa com o entendimento que o envelhecimento da população brasileira está associado ao aumento das doenças neurodegenerativas, especialmente a doença de Alzheimer. Além de muito complexa, a doença possui tratamentos limitados capazes de modificar sua progressão, os quais ainda estão restritos a pacientes em fases específicas da doença. Um dado intrigante é que alguns indivíduos envelhecem cognitivamente sadios, mesmo com os marcadores clássicos da doença no cérebro, como as placas de beta amiloide e os emaranhados de tau.
O que os diferencia? Uma hipótese que motiva este projeto é que o cérebro possui mecanismos endógenos de resiliência que compensam ou atenuam o impacto da neuropatologia. O grupo bsuca ativar esses programas de resiliência neuronal para obter tais benefícios.
O projeto propõe utilizar edição epigenômica com CRISPR-Cas9 para elevar os níveis de algumas proteínas neuroprotetoras-chave em modelos neuronais relevantes para a doença. Diferentemente das abordagens tradicionais, que inserem genes exógenos ou inibem agregados proteicos, esta estratégia atua sobre a regulação da expressão gênica endógena, sem modificar o DNA, de forma específica, potencialmente reversível e segura.
Os efeitos neuroprotetores dessa intervenção estão sendo inicialmente estudados in vitro, em modelos de agregados de beta amiloide e em neurônios expostos a agentes neurotóxicos. Se bem-sucedida, esta modalidade representará um avanço conceitual e terapêutico relevante ao explorar o potencial da edição epigenômica com CRISPR para ativar programas endógenos de resiliência neuronal. Além do forte potencial translacional, essa nova geração de terapias avançadas poderá ser útil para outras doenças complexas, neurodegenerativas ou não.