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Ciência Pioneira apoia programa que levará estudantes brasileiros à Harvard Medical School

Por Ciência Pioneira | Publicado em 14 de setembro de 2026 | Última atualização em 14 de setembro de 2026

Ciência Pioneira apoia programa que levará estudantes brasileiros à Harvard Medical School

Os selecionados receberão bolsa integral para uma imersão científica de dois meses na Harvard Medical School com mentorias e experiência prática em pesquisa científica de ponta.

Dois estudantes brasileiros terão a oportunidade de viver um intercâmbio acadêmico internacional de dois meses na Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos, com bolsa integral estimada em cerca de R$ 65 mil por participante. A experiência científica faz parte do programa “Desbravadores Globais da DescobertA²”, desenvolvido pelo Discovery Center for Musculoskeletal Recovery (em português, Centro de Pesquisa para Recuperação Musculoesquelética), do Schoen Adams Research Institute/Spaulding Rehabilitation Hospital da Harvard Medical School, com apoio da Ciência Pioneira.

Idealizado pela pesquisadora brasileira Fabrisia Ambrosio, diretora do Discovery Center for Musculoskeletal Recovery, o objetivo do projeto é ampliar oportunidades para jovens brasileiros e aproximá-los de ambientes de pesquisa de excelência internacional.

“Para muitos estudantes, a oportunidade certa é tudo o que falta para transformar sonhos em realidade. O programa parte da convicção de que talento e ambição não devem ser limitados pelas circunstâncias. O Desbravadores Globais da DescobertA² busca abrir portas para jovens que talvez não tivessem esse acesso e dar a eles a chance de perseguir seus sonhos sem limites”, afirma Fabrisia.

A primeira edição terá a participação de dois estudantes do Ceará e Sergipe, selecionados junto a programas parceiros em processo que envolveu abertura de inscrições e avaliação do perfil acadêmico e da proximidade com as atividades do programa. Foram recebidas mais de 200 inscrições de estudantes de todo o Brasil.

Conheça os estudantes selecionados

Um deles é José Alves, estudante de medicina da Universidade Estadual do Ceará e contemplado com uma bolsa-auxílio da Ciência Pioneira voltada a jovens que foram medalhistas da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas).

“Ainda me faltam algumas palavras para traduzir o que senti quando soube que havia sido selecionado. É uma mistura de felicidade, orgulho, gratidão e, principalmente, de reencontro com uma parte de mim. Quando criança, dizia que um dia estaria em lugares como esse, mesmo sem fazer ideia de como chegaria lá, partindo da realidade em que eu vivia”, relata. “Poder entrar em um laboratório ligado à Harvard Medical School e aprender com pesquisadores de excelência é uma realização enorme. É como reencontrar aquele menino que sonhava sem medo.”

Natural do sertão central do Ceará, ele diz que pretende levar o que aprender em Harvard para outros estudantes. “Quero que o conhecimento que eu adquirir possa retornar para a minha região, contribuindo para fortalecer a cultura científica e abrir novas possibilidades.”

Outra selecionada é Liz Vasconcelos, estudante de licenciatura em química no Instituto Federal de Sergipe. “Sempre tive o desejo de me desafiar e sair da minha zona de conforto, então ter a oportunidade de viver uma experiência em Harvard representa, para mim, muito mais do que uma viagem. É a concretização de um sonho e a possibilidade de perceber que o estudo pode me levar a lugares que antes pareciam muito distantes.”

 

Experiência terá foco em pesquisa sobre regeneração e envelhecimento

A ida está prevista para junho de 2027. Em Boston, José e Liz acompanharão a rotina do laboratório liderado por Fabrisia e dedicado a pesquisas em regeneração e recuperação musculoesquelética, incluindo estudos sobre reparação muscular, envelhecimento e resposta a lesões. Também terão contato com reuniões científicas e práticas de pesquisa em ambiente internacional.

Antes da viagem, os estudantes participarão de um curso preparatório de inglês e mentorias. Receberão ainda passagens aéreas, hospedagem em alojamento universitário, auxílio alimentação, seguro saúde internacional, visto, passaporte e materiais acadêmicos.

Inspiração nasceu durante ação em escolas públicas

Mais do que um intercâmbio acadêmico, a iniciativa de levar dois estudantes a Harvard envolve uma motivação pessoal de Fabrisia. O nome “DescobertA²” homenageia Antonio Ambrosio, pai da pesquisadora, conhecido como “A²” durante a vida universitária. Formado em física pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Antonio recebeu uma bolsa para realizar o doutorado nos Estados Unidos — experiência que, segundo Fabrisia, transformou não apenas a sua trajetória, mas também o futuro da família.

A ideia do programa também ganhou força em 2025, durante a iniciativa Escola de Biologia Quântica, realizada em Paraty (RJ) pela Ciência Pioneira. Além de participar como palestrante, Fabrisia fez parte de uma ação social em escolas públicas da cidade, momento em que cientistas conversaram com cerca de 470 estudantes da rede estadual sobre ciência e carreira acadêmica. O contato com os adolescentes ajudou a consolidar a ideia de criar uma oportunidade de formação internacional para jovens brasileiros.

Para Liz, o programa será uma chance de seguir a carreira científica. “Espero voltar dessa experiência com novos aprendizados, contatos, perspectivas e, principalmente, com ainda mais vontade de continuar me desafiando e compartilhando a ciência que faço para além das fronteiras que um dia imaginei para mim.”