Entender como as proteínas — moléculas essenciais para praticamente todas as funções do corpo — adquirem sua forma tridimensional funcional é um dos grandes desafios da ciência moderna. Esse processo, conhecido como enovelamento, é fundamental para o bom funcionamento celular e para a prevenção de doenças.
Segundo a hipótese termodinâmica, uma sequência de aminoácidos tende sempre a se dobrar em uma mesma estrutura final, aquela que representa o estado de menor energia. Mas será que isso se aplica a todas as proteínas?
Algumas evidências sugerem que não. Existem sequências chamadas de camaleônicas, capazes de assumir formas diferentes dependendo do ambiente. Motivada por essa aparente exceção, a pesquisadora Ana Paula Povinelli, da Unesp de São José do Rio Preto, está desenvolvendo um estudo inédito que usa essas sequências como modelo para investigar os mecanismos do enovelamento de proteínas. A pesquisa foi selecionada no primeiro edital da Ciência Pioneira voltado ao apoio a projetos inovadores e de risco.
Nesta entrevista, Ana Paula fala sobre as ferramentas da física computacional, o papel das sequências camaleônicas e a importância de fomento à ciência básica.