Brasileira ganha prêmio internacional com artigo sobre Biologia Quântica

Brasileira ganha prêmio internacional com artigo sobre Biologia Quântica

5 de março de 2026

Em entrevista, Gabriela Frajtag explora a conexão com a Biologia Quântica e o impacto da divulgação científica para jovens

Aos 20 anos de idade, Gabriela Frajtag conquistou um lugar na lista de premiados no Concurso Internacional de Ensaios sobre Biologia Quântica promovido pelo Foundational Questions Institute (FQxI) e Paradox Science Institute com o apoio da Ciência Pioneira no Brasil. A competição buscava, no âmbito internacional, respostas originais à pergunta “A vida é quântica?” com a oferta de até RS 300 mil em prêmios.

Gabriela foi a única brasileira entre os destaques do concurso e venceu a categoria destinada a graduandos garantindo o prêmio de US$ 3 mil (R$ 16 mil) com um ensaio sobre a história e o futuro da Biologia Quântica. Recém-graduada em Ciência e Tecnologia pela Ilum Escola de Ciência, apaixonada por leitura, história e biografias da ciência, ela encontrou na proposta do concurso uma oportunidade de reunir esses interesses em uma contribuição que explora o panorama histórico do campo.

Em entrevista à Ciência Pioneira, Gabriela comenta sobre a sua relação com a Biologia Quântica, o processo de pesquisa para o artigo e a importância da divulgação científica para jovens brasileiros.

A FAÍSCA QUÂNTICA

Gabriela, como a Biologia Quântica entrou na sua trajetória?

Minha trajetória foi sempre recheada de ciência e interesse em múltiplas matérias. Não à toa escolhi uma graduação interdisciplinar. Aprendi pela primeira vez sobre a biologia quântica em um livro, “A Vida no Limite” (Al-Khalili & McFadden) e estudando na Ilum Escola de Ciência, a interdisciplinaridade sempre esteve presente: tive uma palestra sobre biologia quântica com o Professor Nelson (que também é coordenador acadêmico na minha faculdade).

Em seguida, surgiu a incrível oportunidade de participar da Escola de Biologia Quântica da Ciência Pioneira em 2025 e, durante aquela semana, pude aprofundar na base teórica de física e biologia, além de ouvir palestrantes brasileiros e estrangeiros contando sobre suas pesquisas na área. Foi muito interessante!

Em agosto de 2025, a Escola de Biologia Quântica da Ciência Pioneira reuniu jovens em uma semana imersiva em Paraty para aulas, palestras, sessões de pôster e networking com o objetivo de fomentar a comunidade científica e inspirar novas carreiras na área. O que te impulsionou a participar e como você descreveria a experiência?

O que me impulsionou foi principalmente a curiosidade. A biologia quântica é um campo que ainda está se formando, é bem novo, e ter a oportunidade de fazer parte de um evento que é possivelmente um dos primeiros focados no assunto (talvez no Brasil, o primeiro) é uma honra imensa.

A experiência em Paraty foi muito especial porque não foi apenas assistir aula, havia também muitos momentos de interação, perguntas e troca de ideias e o legal disso é que tinham pessoas de várias áreas diferentes, o que só aumentava a possibilidade de troca.

O que mudou na sua perspectiva de carreira após a vivência em Paraty?

Antes da vivência em Paraty, eu já acreditava na importância de integrar diferentes áreas da ciência, mas durante o evento fiquei muito impressionada com a motivação da organização para garantir que a gente realmente leve o que aprendeu para as nossas próprias pesquisas. Saí do evento com ainda mais vontade de trabalhar de forma interdisciplinar e de explorar como a biologia quântica pode contribuir para minhas perguntas científicas no futuro.

O CONCURSO

Você conheceu o Concurso Internacional de Ensaios sobre Biologia Quântica através do grupo da Escola de Biologia Quântica. Qual foi o principal motor para a sua inscrição no Concurso?

O meu pensamento foi: eu não tenho ainda uma pesquisa própria em biologia quântica para escrever sobre no concurso, mas adoraria contar a história do campo. Isso porque eu amo ler, principalmente história e biografias da ciência. Então pensei que minha contribuição poderia ser justamente esse panorama histórico que construí no ensaio.

O seu artigo premiado aborda a história da Biologia Quântica, por que é necessário recontar e registrar a história da ciência?

A história da ciência nos ajuda a entender que o conhecimento não surge de forma linear e que tudo é resultado de contexto. Quando eu era mais nova, via televisão e pensava: “uau, isso é uma caixa mágica que me permite ver coisas que aconteceram no passado”.

Depois a ciência explicava essa “mágica”, com eletrônica e óptica. E eu pensava: “então a pessoa que criou isso deve ser genial de uma forma quase impossível”. Mas quando estudamos a história da ciência percebemos que ninguém cria nada completamente sozinho ou do zero.

A ciência é um esforço coletivo, construído ao longo do tempo. E entender isso torna a ciência mais humana e mais acessível para quem quer participar dela. Além disso, registrar a história é crucial para entendermos como certas ideias surgem, desaparecem e às vezes voltam décadas depois com novas evidências ou tecnologias. Isso ajuda a dar perspectiva sobre o presente da ciência e sobre os caminhos que ela pode tomar no futuro.

Como foi o seu processo de pesquisa para escrever o artigo? O que mais te impressionou nas suas descobertas?

O processo envolveu leitura de livros e artigos. Como eu já tinha lido um livro sobre biologia quântica, assistido palestras e ido na Escola, ficou em minha mente alguns nomes e descobertas que queria escrever sobre. Depois, o processo foi mais de tentar entender como certas ideias sobre efeitos quânticos em sistemas biológicos surgiram e como foram sendo reinterpretadas ao longo do tempo.

O que mais me impressionou foi perceber que várias ideias que hoje são mais aceitas já tinham sido sugeridas há tempos, mas na época faltavam ferramentas experimentais para testá-las. Hoje estamos começando a ter tecnologias que permitem investigar essas hipóteses de forma mais concreta.

Como é ser premiada em um Concurso Internacional, representando o Brasil no campo da Biologia Quântica?

Eu fiquei muito feliz, foi uma surpresa imensa e maravilhosa. É importante mostrar que estudantes e jovens pesquisadores brasileiros estão participando dessas discussões internacionais e que podemos sim conseguir destaque.

A COMUNICAÇÃO EM CIÊNCIA

O Concurso Internacional também funciona como uma forma de divulgação científica acerca de diferentes temas que mudam a cada ano. Como você vê a divulgação científica e qual a relevância de comunicar ciência para jovens talentos no Brasil?

Se hoje sou uma cientista formada, foi por causa da divulgação científica. Ela é muitas vezes a porta de entrada para o mundo da ciência mais formal.

No meu caso, foram programas como Cosmos, do Carl Sagan e do Neil deGrasse Tyson, as horas que eu passava vendo vídeos de experimentos no YouTube, ou lendo livros de divulgação científica. Hoje eu tento fazer o meu papel também, falando sobre história da ciência nas redes sociais (@gabi_frajtag).

Admito que faz um tempo que não gravo vídeos, mas pretendo voltar em breve. Comunicar ciência é importante justamente porque pode despertar curiosidade em pessoas que talvez nunca tenham pensado em seguir esse caminho. E serve para aproximar o público dos cientistas, gerando entendimento e reconhecimento.

O que você falaria para jovens cientistas brasileiros que também estão se encantando pela ciência?

Continuem curiosos e não tenham medo de explorar diferentes áreas até encontrar aquilo que realmente amam. Quando descobrirem uma pergunta que te faz enlouquecer de curiosidade, persista! Às vezes a ciência pode ser difícil e cheia de desafios, mas é justamente essa curiosidade que nos faz continuar investigando e aprendendo.

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